A mensagem chega pelo WhatsApp com a foto e o nome do seu advogado. O golpista cita o número do seu processo, manda imagem de uma decisão verdadeira e dá a notícia que você esperava há anos: o dinheiro foi liberado. Para receber, basta pagar uma “taxa”, um “imposto” ou fazer uma “validação” com alguém do tribunal.
É o golpe do falso advogado, que cresceu no país inteiro nos últimos anos. Nesta semana, uma moradora de Minas Gerais perdeu todas as economias dessa forma, e boa parte dos comentários na internet culpou a vítima por “ganância”. Essa leitura está errada e é perigosa, porque faz as pessoas acreditarem que só cai quem é descuidado.
Por que o golpe convence
Os criminosos não improvisam. Segundo a OAB de São Paulo, o esquema passou a usar automação para coletar dados e consultas em massa a sistemas judiciais, e é aplicado por organizações criminosas de atuação nacional. Por isso o golpista sabe o número do processo, o nome das partes, o valor da causa e até o andamento. Com a foto do advogado verdadeiro, a mensagem parece legítima.
O objetivo é sempre o mesmo: levar a vítima a fazer um Pix, pagar um boleto, informar códigos ou juntar dinheiro em uma única conta para uma suposta “liberação”.
Regras de ouro para não cair
- Nenhum tribunal liga ou manda mensagem pedindo pagamento para liberar valores de processo. Nem o STJ, nem o TJ, nem a Justiça Federal.
- Desconfie de urgência e de número novo. “Seu advogado trocou de número” é o começo clássico do golpe.
- Confirme com o seu advogado pelo telefone que você já conhece, de preferência por uma ligação, antes de qualquer pagamento.
- Use o ConfirmADV, a plataforma da OAB em que qualquer pessoa confirma se está mesmo falando com um advogado inscrito. O próprio advogado precisa confirmar o pedido em poucos minutos.
- Não use “Pix copia e cola” nem boletos recebidos nessas conversas.
Se você caiu
- Avise o seu banco imediatamente, pelo canal oficial, e peça o Mecanismo Especial de Devolução (MED), se o pagamento foi por Pix;
- Registre boletim de ocorrência, que pode ser feito online;
- Avise o seu advogado de verdade. Ele também pode comunicar o caso à OAB e às autoridades;
- Guarde prints das conversas, comprovantes, número do golpista e protocolo do banco.
O banco devolve?
Cada caso precisa ser analisado individualmente. Em fevereiro de 2026, uma Turma Recursal do Distrito Federal analisou um golpe do falso advogado em que a vítima fez um Pix atípico de R$ 30 mil. O tribunal entendeu que o banco falhou ao não bloquear uma transferência fora do padrão, e reconheceu também culpa concorrente da vítima, que seguiu as instruções do golpista. Resultado: o banco devolveu metade do prejuízo.
O que pesa nesses casos é o mesmo critério que explicamos no artigo sobre o golpe da falsa central: a operação era compatível com o seu perfil? O banco tinha meios de perceber a fraude?
Perguntas frequentes
O tribunal pode me ligar para liberar dinheiro de processo?
Não. Valores de processo são liberados por decisão judicial e levantados pelos meios oficiais, sem pagamento de taxa por WhatsApp.
Como o golpista sabia do meu processo?
Muitos dados processuais são públicos, e os criminosos fazem consultas em massa. Saber o número do processo não prova que a pessoa é do escritório.
Meu advogado pode pedir pagamento por Pix?
Honorários e despesas devem seguir o que foi combinado em contrato, pelos canais que você já conhece. Na dúvida, ligue para o escritório.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a orientação jurídica individualizada. Cada caso possui particularidades que devem ser analisadas por um advogado.
Clientes do Paulon & Ribeiro: nosso escritório não pede pagamento por número desconhecido. Em caso de dúvida, confirme pelo telefone (17) 3262-1151.
Veja também: Fraude no Pix: como funciona o MED | Golpe da falsa central: quando o banco deve indenizar






